Minha guardinha querida

Praça Santos Andrade, mãe e filho na fila do Piraquara. O piá, boné pra trás, esbraveja:

— A assistente me avisou, uma palavra que eu disser e você não é mais minha guarda.

Ela quieta, nem se defende. Ele não alivia, parte pra cima:

— Perde tudo, até os outros.

Em volta, o mundo impassível, o silêncio dos ônibus. Meio minuto e a mulher, uma carranca remoendo ideias, enfim se pronuncia:

— Nunca imaginei, quem diria.

O piá se irrita, desde quando você tem imaginação, imaginou o quê? E ela, pedra falante:

— Ser mãe é cuidar de um presídio.

 

 

 

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