Musas de ferro

MusasPracaOsorioFotoEduardo

Imagem: Eduardo Aguiar

“Eu já quis ser menino de rua só para nadar sem roupa entre as sereias de ferro da Osório. As mil crianças que desde pequeno vi por lá, sempre nuas, ainda se banham no repuxo francês, e jamais cresceram. Mesmo mortas e invisíveis, algo delas restou na água turva, permanece entre nós e as feras da praça. Não sei o que é, talvez um desejo de perenidade. Faz de conta que sobreviveram à infância ruim, ou que nós, do lado de fora do chafariz, viveremos indefinidamente, no eterno ímpeto do mergulho.”

Este é o parágrafo inicial de “Musas de ferro”, uma das crônicas do meu livro “Asa de sereia”. O jornalista Eduardo Aguiar, meu amigo dos tempos de escola, conseguiu registrar exatamente um desses momentos de que falo no texto: “Será que não há ninguém pulando ali de cima, sem medo de injúria alguma, nos exibindo sua nudez sem sobras e uma saúde insuspeitada?”.

Grande foto do Eduardo, que me fez lembrar uma pequena frase do Dalton Trevisan: “O repuxo rococó na Praça Osório é o mar, o grande mar de Curitiba”.

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